Na mira do rato da turma, Celso Cardoso


Celso Cardoso e a Turma da Ratoeira

Foi numa terça-feira quente nas proximidades da faculdade que os alunos sonolentos souberam de uma suposta palestra que aconteceria no campus com um apresentador de televisão, o que gerou uma euforia, mas não tão grande, já que é de uma televisão de pouca interferência na sociedade. Depois de uma hora e meia de risadas na sala de aula, com o professor “Queijo” na nossa “Turma da Ratoeira”, escapamos para o auditório que leva o nome do defunto desaparecido Ulysses Guimarães.

Como todo evento, em que as pessoas se acham mais importantes ou em que o trânsito atrapalha, depois de meia hora do horário marcado, eis que surge pelas portas (que possuem um defeito e cortam pela metade o nome da instituição) do auditório espelhado – em que as moças se olhavam para arrumar os cabelos – o grande, o fabuloso… homem de terno e gravata: um tal de professor Allan Kozlakowski, que, pelo que nossa coordenadora Marcia Furtado havia dito, é o diretor de Comunicação e Artes da faculdade. Depois dele, já desanimados, os alunos avistaram o convidado: eis que surge – agora, sim, ele – Celso Cardoso, o jornalista esportivo e apresentador da Gazeta Esportiva, da TV Gazeta, que, além disso – e talvez mais importante e relevante para mim – é professor do mais conceituado curso de jornalismo do país, o da Cásper Líbero. Criou-se um alvoroço entre… os homens, quando o rapaz entrou e sentou-se atrás da bancada de vidro, com uma cadeira aparentemente confortabilíssima, em que apenas uma pessoa deveria poder sentar-se: eu, claro. Mas imagino que esse alvoroço entre os homens nada mais era do que gosto pelo esporte sobre o qual ele falaria.

Em um cartaz, avulso, ao meu lado esquerdo, estava especificado o tema da palestra: “O jornalismo esportivo: o mercado de trabalho visando a Copa do Mundo e as Olimpíadas no Brasil”. Pensava eu – para não dizer que todos os colegas pensavam o mesmo, já que tem sempre aquele mais avoado – que o indivíduo faria uma explanação sobre o assunto.

– Aceitei e fico feliz com o convite da universidade e espero que vocês gostem. Podem perguntar que responderei todas as perguntas. – Disse Cardoso aos discentes que estavam na expectativa do debate dos assuntos. A partir daí, um rapaz foi passando o microfone para as pessoas fazerem suas perguntas – isso, na minha terra, chamamos de entrevista coletiva, ou falta de organização ou tempo para preparar algo. E esse rapaz infeliz, passava dezenas de vezes na minha frente e não respondia aos meus chamados para que eu pudesse fazer uma pergunta. Acho que ele não foi com a minha cara.

Entre as poucas respostas realmente “interessantes”, foi importante saber que ele também crê que o Brasil “não está preparado para realizar os eventos [Copa e Olimpíadas], já que tem outras prioridades, como saúde, educação” e todos aqueles outros clichês do politicamente correto (como se no “politicamente” algo pudesse ser correto neste país) e que o país “passará grande vergonha quando comparado aos países europeus e africano que sediaram a Copa”, Copa essa que ele gostaria de estar presente, mas como narrador de jogos “ao vivo”, já que “o resto” (comentar, narrar melhores momentos e apresentar) ele faz todos os dias.

Tudo ocorreu normalmente, até que o debate mudou de rumos e atingiu a polêmica da não obrigatoriedade dos diplomas para jornalistas, pergunta feita por um estudante de Rádio e Televisão, que, muito provavelmente, queria tirar sarro dos colegas estudantes. “Acho triste. O jornalismo deve ser aprendido, e deve ser aprendido numa faculdade”. Tudo certo até que outro colega levantou e disse: “Mas por que, então, um dos seus colegas de bancada não tem diploma?”, e aí surgiu o momento tenso esperado por todos. “Você deve estar enganado, porque todos que trabalham comigo e no jornalismo da Gazeta têm diplomas”, respondeu Celso Cardoso. Já era de se esperar, pois a Gazeta pertence à Fundação Cásper Líbero, da faculdade. Depois desse clima, o papo continuou rondando os porquês da profissão, quando surgiu última dica: “A última oportunidade [para o jornalista] é o agora.”.

Após a “palestra”, a serelepe “Turma da Ratoeira”, foi conversar com Cardoso, que tirou fotos, cumprimentou, conversou e brincou bastante conosco, o que tornou a classe e ele “amigos de Twitter”. Para a inveja de todas as outras turmas, fomos convidados até a ir vê-lo cantar num bar em Moema, além de sermos citados, ao vivo, no programa do mesmo dia.

– Hoje, ministrei palestra na FIAM e quero mandar um abraço para todos, especialmente para a Turma da Ratoeira, muito animada. – Somos nós, da FIAM para a Gazeta. Agora falta passar da Gazeta para o YouTube e do YouTube para o mundo. Talvez fiquemos famosos e mundialmente conhecidos como “Reginho e a Banda Surpresa” do jornalismo nacional.

Depois da conversa de meia hora que teve com a classe, Celso Cardoso foi chamado para tomar um café e nos abandonou. Vida de famosos é assim, fazer o quê?!


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