A hora e a vez #2


Introdução

Matraga não é Matraga, não é nada. Matraga é Estêves. Augusto Estêves, filho do Coronel Afonsão Estêves, das Pindaíbas e do Saco-da-Embira. Ou Nhô Augusto — o homem. É assim que começa um dos mais importantes textos escritos por João Guimarães Rosa, autor brasileiro moderno que nasceu 94 dias após a morte de Machado de Assis, com quem até hoje disputa o título de maior escritor da literatura nacional. Augusto Matraga, Augusto Estêves e Nhô Augusto são a mesma pessoa. Uma espécie de Santíssima Trindade do sertão, com a ressalva de que nenhum deles é Deus, tampouco o diabo, mas um ser humano influenciado pela religião a partir do momento em que se lança do topo de um morro rumo a uma vida nova.

Como objeto de estudo, a escolha de A hora e vez de Augusto Matraga se justifica pelo que Guimarães Rosa relata em carta a João Condé: o nono e último texto de Sagarana é considerado pelo autor como mais sério, “síntese e chave” de todos os outros – que estão empenhados em contar causos do interior, especialmente do interior de Minas Gerais.

Considerando o significado do neologismo Sagarana – título do primeiro livro do autor –, não é raro ouvirmos de professores, na escola e na universidade, que uma das características da obra roseana é o tom lendário, que constrói heróis e ainda oferece um ensinamento moral ao fim. Partindo desse pressuposto, este trabalho busca verificar se a principal novela da obra pode ser considerada mitologia e seu protagonista, um herói, segundo definições de estudiosos como Jacques Le Goff e de uma análise específica da Jornada do Herói, descoberta por Joseph Campbell e aprimorada Monica Martinez, cujo esquema proposto será por nós adotado.

A jornada verifica cada uma das etapas enfrentadas pelo personagem, desde o seu cotidiano, o início da aventura, as provações e as transformações do protagonista até chegar a um determinado clímax e, enfim, ao desfecho. Nesta pesquisa, que visa contribuir para chancelar cientificamente uma entre tantas características literárias de Guimarães Rosa, consideraremos como parâmetros os três locais de experiência de vida de Augusto, além de observações sobre a natureza humana e o ambiente social em que está inserido o enredo.

Para melhor estudar o tema, inicialmente, apresentaremos um pouco da vida de João Guimarães Rosa e da obra deixada por ele, especialmente o livro Sagarana, bem como faremos um resumo comentado acerca da novela que terá a nossa atenção. Em seguida, vamos tentar esclarecer quem é o herói e quais suas características básicas na literatura e apresentaremos detalhadamente a teoria da Jornada do Herói. Por fim, aplicaremos a teoria ao texto para verificar, na conclusão, se podemos ou não o considerar mitológico.


Leia todo o artigo:
19/08/2017 – Resumo, abstract e referências bibliográficas

26/08/2017 – Você está aqui
02/09/2017 – Criador…
09/09/2017 – …e criatura
16/09/2017 – Hora e vez
23/09/2017 – O herói e sua jornada
30/09/2017 – A trajetória de Augusto
07/10/2017 – Considerações finais


7 comentários sobre “A hora e a vez #2

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