Memórias de uma batalha: O câncer nos brasileiros


O câncer nos brasileiros

Em três estimativas, que são feitas pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca) a cada dois anos, desde 2010 até 2014, pode ter acontecido um acúmulo de mais de 1,6 milhão de novos casos de câncer¹. Não dá para ter certeza, porque os dados consolidados não são divulgados desde 2005 nem há contabilização das informações em todo o país que seja divulgada.

Em 2014, são esperados 576.580 novos diagnósticos de câncer (que não incluem os dados sobre metástases nem tumores reincidentes), num universo de 199.492.433 brasileiros – dado de projeção populacional para o ano feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)². Os dados são sensíveis e uma prova para essa afirmação é que a população do Brasil em 2014 era de 202,8 milhões de habitantes – 1,6% acima do estimado.

No cenário de expectativas do Inca, contudo, é possível dizer que, se os números se concretizassem, haveria 289 casos a cada 100.000 pessoas. Ou ainda: um caso a cada 346 brasileiros. Com o aumento populacional, a proporção deve ser menor, mas não menos impactante.

cancer

O tumor de pele não melanoma deve ser o mais incidente no ano, com 181.130 casos³. Em 2010, segundo o Inca, 1.521 pessoas morreram devido a esse tipo de tumor. O segundo com estimativas mais altas é o de próstata, com expectativa de 68.800 novos registros4. Esse tumor matou 13.129 brasileiros em 2011. No mesmo ano, 13.345 pessoas (das quais pouco mais de 100 homens) morreram devido ao avanço do câncer de mama, que pode chegar aos 57.120 diagnósticos em 20145.

O quarto e o quinto tipos com estimativas mais altas são o de cólon e reto (32.600 ocorrências) e o de traqueia, brônquio e pulmão (27.330)6. Esses são os tumores mais perigosos, quando analisada a quantidade de óbitos: 14.016 para o colorretal e 22.424 para o dos órgãos do sistema respiratório em 2011. Esses dados também são do Inca.

O combate tem mais resultados a cada nova pesquisa produzida por médicos de todo o mundo, mas a expectativa não é positiva na contenção dos números. Exemplo disso é um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), apresentado em fevereiro de 2014, que afirma que os diagnósticos devem chegar a 22 milhões ao ano, em todo o planeta, dentro de duas décadas. O que vale a pena ressaltar, em meio à situação, é que a cura é possível em muitos casos.


Notas

¹O texto compõe a introdução do livro-reportagem “Memórias de uma batalha: histórias de quem enfrentou o câncer” (Rafael Iglesias, 2014).

²Novos dados foram divulgados desde então: em 2018 e também em 2019, o Inca estima que haja 634.880 novos casos de câncer (51% em homens). Um aumento de 10% em relação ao esperado para 2014.

³A estimativa para o biênio 2018-2019 é de 165.580 novos casos de câncer não melanoma por ano. Redução de 9% em relação a 2014.

4A estimativa de novos casos de câncer de próstata diminuiu 1% em relação a 2014 e, para este ano, são esperados 68.220 registros.

5Aumentou em 5% a estimativa de registros de câncer de mama. Para 2018, o Instituto do Câncer espera 59.700 novos casos.

6Espera-se, em 2018, 36.360 novos casos de câncer de cólon e reto e 31.270 novos casos de câncer de pulmão. Em relação a 2014, a estimativa aumentou 12% e 14%, respectivamente.


Confira a série completa.


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