Análise: França foi a debate dizer que casou com 1ª namorada


Atitude romântica do governador de São Paulo aconteceu enquanto ele deveria revelar seus planos para a segurança

O primeiro debate entre candidatos a governador de São Paulo, promovido pela Band, foi tão patético quanto o da semana passada – com os presidenciáveis. Se a qualidade do futuro governo puder ser medida a partir disso, estaremos mal por mais quatro anos.

Para começar bem, o jornalista Fábio Pannunzio perguntou aos sete candidatos (só uma mulher) presentes: “o que o senhor faria para melhorar a segurança da população, que hoje vive com medo em todas as cidades do estado?”. Uma questão simples? Acho que nem tanto.

Porque o atual chefe do Executivo estadual começou a falar aquilo que havia de mais interessante em seu repertório: “Sou casado há mais de 30 anos com a Lúcia, professora Lúcia, minha primeira namorada”. Deve ter ganhado muito carinho da esposa ao chegar em casa.

Mas tenho uma grande novidade: isso não interessa. Talvez na propaganda eleitoral, a família seja importante. Como, até onde sei, debates são para debater, creio que o candidato passou ridículo. Pior do que saber que 91% dos paulistas nem imaginam que ele é o governador.

Apresentar-se ao eleitorado é essencial, mas existem momentos apropriados para isso. No debate, dá a impressão de que está fugindo do tema, porque ou não tem propostas, ou não sabe como expressá-las. O que, evidentemente (imagino), não é o caso.

Márcio França (PSB) não falou, por exemplo, de sua proposta de tirar a Polícia Civil do guarda-chuva da Secretaria da Segurança Pública, passando-a para a pasta da Justiça. As duas já desintegradas instituições ficarão ainda mais separadas do que já são por força do destino.

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Da esquerda para a direita: França, Tavares, Skaf, Cândido, Pannunzio, Doria, Marinho e Lisete (Foto: Divulgação/Band).

Mas, claro, não foi só isso.

Em relação às falhas nos trens, ele disse. Pausa dramática. “Olha, me incomoda muito, realmente, todas as vezes assisto à televisão, as pessoas reclamando das falhas da CPTM”. Sei que é um problema de articulação da frase, mas parece que o povo é o problema. Talvez seja.

Segue o barco: “Não pode ter falha. A regra é a seguinte: se a CPTM falhar, ela tem que indenizar o passageiro. A gente está mandando para a Assembleia Legislativa esse projeto. Não é correto as pessoas ficarem à disposição da CPTM”. Como assim?

A CPTM, para quem não sabe, é a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos. Se ela teria que indenizar o passageiro, quem é que pagaria essa conta no fim das contas? É uma empresa de economia mista, mas o custeio provavelmente será jogado para o contribuinte de alguma forma. A passagem vai aumentar? Ou o investimento vai diminuir?

É uma grande bobagem que não resolve as causas do problema.

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Justiça seja feita

Márcio França foi, para mim, o destaque cabo-daciolístico também porque proporcionou o momento mais animado de todo o debate, quando trocou farpas com o ex-amigo João Doria, também conhecido como João Trabalhador ou só como não político, mas gestor.

Irritado porque o candidato do PSDB disse que ele mudou de posição em relação à caça de javalis (sim), França soltou: “Quem muda de ideia aqui é você. Quarenta e três vezes você prometeu para mim e todos os paulistanos que cumpriria o mandato e seria o melhor prefeito”.

Evidentemente, sabemos que Márcio França anda chateado porque o tucanato paulista não quis apoiar sua candidatura, permitindo a de Doria. Ele soltou o que estava entalado na garganta: “Não traio meus amigos e, acima de tudo, não traio o povo”.

Ficou com sono? Sim, eu também. Francamente…

Em tempo: além de John, the Worker, e de Márcio França, participaram do debate Lisete Arelaro (PSOL), Luiz Marinho (PT), Marcelo Cândido (PDT), Paulo Skaf (apagado e do MDB) e Rodrigo Tavares (que fala devagar e é do PRTB, o partido do aerotrem).

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