Reportagem: Alckmin deixa polícia de SP com efetivo 8% menor


Governo precisaria contratar 10,4 mil agentes para igualar total de 2010, mas efetivo ainda ficaria abaixo do ideal

O efetivo das polícias Civil e Militar diminuiu 8% durante o governo de Geraldo Alckmin (PSDB), segundo dados obtidos pelo Reticência Jornalística via Lei de Acesso à Informação. O agora candidato à presidência recebeu o estado, em 2011, com 10.391 agentes a mais do que quando entregou o cargo a Márcio França (PSB), em abril deste ano.

A maior perda de pessoal aconteceu na Polícia Civil. No último dia de 2010, havia 34.478 policiais em todas as cidades de São Paulo. Esse total caiu para 30.500 ao fim do terceiro mês de 2018 – uma redução de 12%. O efetivo só aumentou em 2011 e desde então caiu consecutivamente, com uma perda total de 3.978 agentes.

Na Polícia Militar, cujos recursos humanos são os mais numerosos da América Latina, a diminuição chegou a 7% – passando de 89.593 para 83.180, uma perda de 6.413 agentes. A quantidade só aumentou em 2011 e 2015, períodos iniciais das duas gestões do governador do PSDB, que recebeu o bastão do correligionário Alberto Goldman.

Os dados fornecidos pelas polícias podem ser enganosos, contudo. Ambas as instituições somam, em 2018, o efetivo que está em formação: em março, eram 1.925 soldados da PM e 626 delegados e investigadores da Polícia Civil (que prestaram concurso em 2013). Esse pessoal não estava, efetivamente, em batalhões e delegacias para reforçar o policiamento.

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Menos policiais para mais população

Enquanto o efetivo policial diminuiu 8%, a população paulista cresceu 7% desde 2010. Com isso a média, que era de um policial militar para cada 461 e um civil para cada 1.197 habitantes, passou para um por 529 e 1.442. Não há uma proporção recomendada oficialmente, mas estudos já indicaram uma faixa de um a cada grupo entre 250 e 450 pessoas.

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Contratações não são suficientes

O governo de São Paulo contratou 31.702 agentes da PM e da Polícia Civil entre janeiro de 2011 e março de 2018. A quantidade é 75% do necessário para conter a perda de efetivo em relação a 2010 – seriam necessários, ao todo, 42.093 policiais para que o total se igualasse. Assim, Alckmin precisaria ter aberto e preenchido mais 10.391 vagas.

Mesmo com a perda de recursos humanos, o efetivo atual (chamado de existente) está longe do ideal, que é definido pela quantidade fixada. Em março, por exemplo, o efetivo fixado da PM era de 92.982 – 12% a mais do que a tropa que efetivamente estava nas ruas. No caso da Polícia Civil, entidades de classe indicam um déficit de até 13 mil agentes.

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Interior sofre mais com a perda de policiais

O interior, dividido pela polícia em 10 regiões, sofre mais com a perda de policiais do que a capital e a Grande São Paulo. Além da defasagem, a região de São José do Rio Preto só recebeu um soldado para seus batalhões desde 2011. Bauru recebeu 10. Já Presidente Prudente e Araçatuba não receberam nenhum novo policial militar.

A Secretaria da Segurança Pública afirmou que “muito mais que uma comparação numérica entre diversas regiões, o efetivo é empregado e destinado de forma estratégica”. Em 2017, a região de Rio Preto teve alta nos furtos (1%); a de Bauru, nos latrocínios (250%); a de Prudente, nos homicídios (5%); e a de Araçatuba, nos roubos de veículo (15%).

Além disso, dos 645 municípios paulistas, 235 (36%) não possuíam delegados titulares ao final de 2017. Paralelamente ao déficit caminha uma diminuição no número de casos esclarecidos pelas polícias Civil e Militar. Enquanto em 2011 havia 187.854 elucidações (em flagrante ou por investigação), o número caiu para 162.970 em 2017 – recuo de 13%.

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