Análise: Dizer que não se resolve na bala é hipocrisia de Alckmin


Enquanto Bolsonaro defendia a violência, tucano a praticava descaradamente em São Paulo

Não se resolve os problemas do Brasil a bala. Pelo menos é o que afirma a campanha de Geraldo Alckmin durante os primeiros dias de propaganda eleitoral no rádio e na televisão. Um discurso evidentemente crítico a Jair Bolsonaro, que na quinta-feira (6) foi vítima de seu próprio discurso de ódio, tendo sido esfaqueado no meio de uma multidão em Minas Gerais.

O problema é que o discurso de Geraldo Alckmin é falho. Afinal, qualquer cidadão que vive no estado de São Paulo, por ele governado durante vários anos, sabe que para todos os problemas – por mais simples que fossem – o agora presidenciável convocava sua amada tropa de elite. Também conhecida como Comando de Choque da Polícia Militar.

O Choque, em São Paulo, é a imagem que o Henrique Meirelles tenta vender de si: se tiver algum problema, chama ele. Exemplos não faltam: manifestação de professores? Chama o Choque. Ocupação contra fechamento de escolas? Choque. Protesto contra o golpe? Choque. É a favor da democracia? Choque. Corrupção na merenda? Choque.

Tropa de choque, balas de borracha e spray de pimenta. Toda a oposição ao governo do PSDB foi tratada assim, especialmente nas duas últimas gestões. Jornalistas foram atingidos e seus veículos de comunicação não foram além da covardia de um protesto quase mudo, aliás. A hipocrisia não pode ser ignorada, porque Alckmin não é tão diferente de Bolsonaro.

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Crédito: Rovena Rosa/Agência Brasil.

Em setembro de 2012, Geraldo Alckmin – que tem tanto carisma quanto um poste sem luz da insegura São Paulo – viu as Rondas Ostensivas Tobias Aguiar (Rota) matarem nove pessoas em ação em Várzea Paulista. Bem assessorado (só que não), ele disse: “Quem não reagiu está vivo”. Não se questiona que, em um tiroteio, isso possa acontecer.

Em teoria, o confronto não é opção do policial (na prática, sabemos que é bem diferente). Entretanto, é absurda a falta de humanidade do então governador ao tratar mortes com tamanha banalidade. Hannah Arendt gostaria de estudar essa versão do mal. Não se pode orgulhar de mortes. Nem se pode dizer que houve “apenas” 3,3 mil homicídios.

Uma vida perdida é demais.

A polícia paulista ficou sem controle sob a batuta de Alckmin. De 2011 a 2017, foram 10.936 ocorrências com mortes causadas por agentes estaduais, de acordo com a Secretaria da Segurança Pública. O dado inclui homicídios dolosos e mortes decorrentes de oposição à intervenção policial, esteja o envolvido em serviço ou em folga.

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A alta dessas ocorrências é de 51% em comparação ao ano de 2010, quando o Palácio dos Bandeirantes foi chefiado por José Serra (até abril) e Alberto Goldman (até dezembro). Ao mesmo tempo, em sete anos de Alckmin, 2.508 policiais foram presos. Em relação a 2010, 2017 teve uma redução de 27% nessa quantidade. E os escândalos envolvendo agentes só aumentam.

A hipocrisia da propaganda eleitoral de Geraldo Alckmin é enorme. Sem defender a violência como faz Jair Bolsonaro, o candidato tucano à presidência a praticou talvez mais que todos os demais concorrentes que estiveram à frente de alguma das esferas do Poder Executivo. Acreditar nesse discurso é sonhar com um universo de fadas e unicórnios.

E é possível dizer mais. Alckmin é tão dependente da repressão, da violência e da polícia que, se toda vez que ele chegasse em casa estivesse em sua cama a barata da vizinha (que também acabou sendo retirada do SPC pelo Ciro Gomes), certamente ele chamaria o Choque. Seria a extinção desse inseto pré-histórico. Ele quer ficar de bem com o Brasil.

Deve ser por isso.

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