Adeus a Tito

O ursinho do Ministério da Educação acaba de perder o emprego. Tito não poderá mais auxiliar os pais das crianças brasileiras a entender os foneminhas. A mascote vai embora na bagagem de Abraham Weintraub, o ilustre incompetente que chefiava a pasta. Ilustre, aliás, é um adjetivo que não deve ser aplicado ao ex-ministro. Não apenas porque ele não deve saber seu significado, mas pelo fato de que a luz que a palavra sugere no caso dele são trevas.

Seguidor do astrólogo Olavo de Carvalho, integrante do grupo dos terraplanistas, crente no marxismo cultural, Weintraub teve na graduação em ciências econômicas – na Universidade de São Paulo (USP) notas tão vergonhosas quanto seus constantes erros de português (e com justificativas tão esfarrapadas quanto). Mestre em administração pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), estudou em 47 páginas de texto (e 17 de outras coisas) o desempenho dos fundos mútuos de renda fixa no Brasil para clientes de varejo. Formação que o torna apto.

Não disse para o que está apto.

O fato é que Abraham Weintraub, com cinco anos de docência na Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) até ingressar na pasta, nunca teve experiência em educação, ou em políticas para a educação, ou no sistema de educação. Nada. Evidentemente, esses critérios – junto com a atração que têm por Olavo – o tornou ideal para o Ministério da Educação. Claro, porque estamos falando de um governo liderado por Jair Bolsonaro, igualmente um completo ignorante – que tendo oportunidade para estudar, mal sabe ler um texto corretamente.

Criminoso, na reunião ministerial de 22 de abril – o dia em que finalmente se descobriu o Brasil –, disse: “Por mim, colocava esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF [Supremo Tribunal Federal]”. Em primeiro lugar, o uso do verbo está incorreto. Ele conjugou “colocar” no pretérito imperfeito, em vez de utilizar o futuro do pretérito (colocaria), que expressa situação de condição. Além disso, colocar os vagabundos “na cadeia, começando no STF” dá o sentido de que a cadeia seria o próprio Supremo.

Nem para dizer bobagens Weintraub serve.

Difamação, injúria, discriminação racial ou perseguição religiosa em local de trabalho e subversão da ordem política são alguns dos delitos identificados pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, na tal reunião. Contudo, esses detalhes que o tornaram tão querido para Bolsonaro e sua famiglia não são menos graves do que o desmonte do sistema de educação feito por Weintraub. Fora os recorrentes problemas com o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio), o ex-ministro extinguiu política de cotas de pós-graduação em universidades federais.

Apesar do afastamento, motivado pelo constante desgaste que Jair Bolsonaro tem sofrido (especialmente com um Poder Judiciário que pode acabar com a corrupção de sua família e ajudar no fim de seu governo de retrocessos), não devemos esperar um futuro melhor.

A história recente mostra a razão. Na Educação, Ricardo Vélez Rodríguez deu lugar a Weintraub – pior. Na Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que era ruim, deu lugar a Nelson Teich, que era pior, e agora estamos com Eduardo Pazuello, que tem uma ideia peculiar sobre o inverno no Nordeste. E esses são apenas alguns exemplos entre tantos possíveis.

Bolsonaro está mudando para não cair.

Weintraub, por outro lado, vem agindo para conquistar força política – ao lado do pior tipo possível de pessoas e de uma mascote de programa de leitura que sequer segura um livro.

Mesmo assim, é um pequeno prazer momentâneo dar adeus a Tito.

E a seu carrasco.


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